Uma manhã no tribunal

Para provar (pra mim mesma) que sou uma estudante de direito dedicada e curiosa, semana passada fui assistir a um julgamento aqui na Corte de Justiça que fica a três ou quatro quarteirões do meu prédio (minha rua é linda! Love it!).

A corte é muito bonita, mas consegui identificar muitas semelhanças com o fórum de BH. E uma delas é a total liberdade para entrar e assistir o que quiser (publicidade! publicidade!). As roupas  (esqueci o nome oficial) dos juízes e dos advogados são muito semelhantes às usadsa pelos nossos, porém, eles colocam uns lacinhos a mais, lembra Mozart, é mais engraçado… Alguns advogados aqui tem realmente cara de malvadões. Mas outros são muito amigáveis e me prestaram várias informações sobre o “trial” (julgamento) que eu queria assistir. Quando o segurança perguntou se eu preferia assistir um civil ou um criminal, não tive dúvidas: criminal, claro!

O assunto era tráfico de drogas (Vancouver, né…) e eles questionavam uma investigadora que parecia ter ocultado informações preciosas para a captura dos malandros…

A oratória do advogado de acusação era surpreendentemente cinematográfica. Aliás, o povo todo realmente fala como no cinema, com a dicção perfeita. A suspeita várias vezes se perdeu nas respostas e chegava a dar pena.

O crime havia acontecido em dezembro de 2006 e o julgamento foi semana passada. Então… aqui também demora!

A sala de julgamento é muito ornamentada com muitos detalhes em madeira. Na entrada do Fórum, há um painel gigante com a foto do Rei e da Rainha. O segurança me explicou que para os julgamentos criminais é bomverificar na tabela de horários se está escrito tipo “R  x  alguém”, e completou que “R” significaria que é a realeza contra o possível criminoso (aqui também existe a presunção da inocência). É como se a rainha fizesse o papel do Ministério Público na lide, pelo que eu entendi.

Embora a corte tenha esse lado anacrônico, o julgamento é bem servido de tecnologia.  Tanto os advogados quanto o juiz ficam no computador e usam o google maps para delimitar o local do crime. As vezes eu imaginava o meritíssimo jogando campo minado no lap top dele, mas parava por aí. Ele se esforçou para chegar onde está. Vamos respeitar.

Depois de uma hora e pouco de julgamento o juiz decidiu que era tempo para o intervalo e, enquanto eu conferia minhas anotações no caderninho o segurança gritou “todos de pé, por favor”. Quando tirei os olhos do caderno, vi que era a única sentada ainda e todo mundo olhava pra mim enquanto as autoridades deixavam a sala. “Oh, sorry”, disse levantando. A verdade é que eu achava que sua excelência iria falar mais alguma coisa antes de sair, então não levantei  imediatamente. Geralmente sou educada. Mas o pessoal do julgamento sorriu percebendo que eu estava meio perdida ainda.

Como não fui informada e nem encontrei ninguém para me informar da hora do retorno do julgamento, não retornei e fui aproveitar Vancouver de outras formas. A repórter aqui também esqueceu de anotar o número ou algum nome do processo. Beleza! É só jogar no google algum julgamento canadense sobre corrupção e tráfico de drogas… Vai ser fácil!

janeiro 28, 2010. Canadá, Cultura. 3 comentários.

Para quem queria saber sobre a comida daqui

Hoje minha avó mandou um e-mail perguntando o que eu gostaria de comer quando voltasse para casa!

Pergunta perigosa… respondi que queria muito arroz, purê de batata, alface e tomate! Também sugeri strogonoff de queijo, mas isso é uma coisa meio chata da minha parte.

Em Vancouver eu sofri com a comida, não por ser muito escolhedeira (o que eu sou), mas por engordar com uma comida mais ou menos.

Porém, agora não estou sofrendo tanto (embora continue me sentindo gorda). Descobri um restaurante italiano bem simples e muito gostoso chamado Pizza Uno, mas não como pizza lá, como um prato turco que acho que chama Kofte (ou tipo isso). É arroz, salada, batata frita e uns hamburguinhos que me lembram o hamburguer de soja da vovó Marieta! É uma das coisas que tem mais cara de comida por aqui. O resto é fast fat food!

A comida mexicana também é saudável.  Na terça-feira, o Taco Time vende tacos por 99 centavos. Vale a pena almoçar dois, porque todos eles vem com uma micro salada em cima. E, realmente, engorda pouco.

Orange Julius e Jugo Juice são lanchonetes especializadas em sucos naturais. Eu tenho adorado o Pina Colada da Orange Julius e os de manga da Jugo Juice. Recomendo. Mas cuidado com os tamanhos. Porque o tamanho pequeno já é grande.

Não existe comida típica canadense. Aqui é tudo uma grande mistura.

Coisas que vão me deixar saudades são os cookies maravilhosos que a gente encontra em todo lugar, os chocolates com creme de amendoim no meio e vários restaurantes fofinhos, mas com comida muuuuito calórica como o Old Spaghetti Factory e o Red Robin!

Me decepcionei com os chocolates quentes de Vancouver. Achei que fosse provar coisas supercremosas… e nada. Me disseram que nem leite eles colocam nisso. Aliás, pelo que eu ouvi, é melhor que não coloquem leite mesmo.

Para todo lado tem pizzarias tipo a Megabite pizza em que a fatia custa 1,51. No início, eu comia muita, mas agora enjoei e passei a ter nojo desses lugares porque ninguém limpa a mesa, nem oferece guardanapo…. Guardanapo aqui é uma coisa tão sagrada… traga os seus!

No mais, a ideia é você comer tudo que tem que comer até 6h da tarde (que já é noite aqui), porque depois disso, a maioria dos lugares fecha e eles não querem nem saber! Eu já fiquei presa dentro de uma loja no shopping porque eles fecharam e não avisaram pros clientes não. O atendimento aqui chega a ser estúpido de tão ruim, mas, leia o texto abaixo e você verá que tem exceções.

Ah, uma coisa muito legal é a água. Como a gente pode beber água da torneira, todo lugar que vamos comer, a água é de graça. Por isso que eu quase nunca gasto dinheiro com bebida.

E, por falar em bebida, não espere vir para Vancouver para beber muito. Primeiro que não se pode beber na rua, nosso amigo indiano foi multado por ter sido encontrado em estado de muito alcoolismo na rua. hehe. Segundo que a bebida aqui é muito cara. Só no Ceillis (acho que é isso), um pub irlandês que fica na Smithe, às quartas, a cerveja é um dollar. Mas tem que chegar cedo, porque a fila fica gigante. Adoro lá, mas também já enjoei!

Se você alugou apartamento como eu, vale a pena comprar umas coisinhas na Dollarama (loja de coisas muito baratas) para comer. Lá vende 4 miojos por um dollar. E no Save On Foods (supermercado ótimo que fica aberto até meia noite em Burnaby) você pode comprar 24 pacotes de miojo por 6 dollares e uns quebrados. Mas, adivinha, você vai enjoar de massa também!

Por isso, vó, que meu sonho é o arroz, com purê de batata, alface e tomate!!!! E um pouquinho de pimenta… porque isso eu aprendi a comer aqui.

janeiro 27, 2010. Food. 4 comentários.

Janela para o mundo

Faltam 20 dias para minha volta ao Brasil.

E o duelo entre a saudade de lá + saudade de cá começa a apertar. Aqui tem coisas bonitas sim. Devo admitir. A gente pode voltar pra casa meia noite, uma da manhã, que se ninguém te confundir com outra mulher, você não será incomodada! A polícia aqui também age rápido e bonitinho.  O transporte público é impressionamente bom e basta comprar um cartão por mês que você tem direito a tudo (skytrain, seabus e bus). A confiança que depositam nas pessoas é grande, mas se você quebra esse laço, o preço é alto. Isso é certo!

Os canadenses não são bons para atender público. Eles são meio sem paciência e eu não entendo o motivo, uma vez que aqui em Vancouver a jornada de trabalho é muito curta. Ou seja, estão com pressa pra quê?! Porém, quando eles resolvem ser simpáticos, sai de perto… são muito atenciosos. É muito engraçado o contraste! Hoje um senhor me deu uma informação sobre Gastown (a região mais antiga e fofa de Vancouver) e ainda me explicou os melhores caminhos e horários para ir lá. A moça do Pizza Uno (que é mexicana) já sabe meu prato preferido (um prato turco, quem diria) e prepara sem picles para mim!

Vancouver pode sorrir pra gente. É hora do desagravo aos canadenses. Eles me receberam de braços abertos. Me ofereceram casa, comida e… uma lavadoura para as roupas.

Hoje eu não moro mais com a família Chocolate, mas trabalho voluntariamente para eles sempre que posso na… loja de chocolate. E aprendo muito!

Os canadenses que conheci numa fila tornaram-se nossos amigos de graça! E o bebê de olhos azuis que estava no skytrain hoje foi o homem que me conquistou mais rápido no mundo.

O Canadá não é só Canadá. Aqui é tudo um pouco. É um pedaço do Ásia, da Europa, do Oriente Médio, da América Latina e também um pouco da África.

Outro dia cutuquei meu amigo no metrô. Se a gente tivesse uma câmera, seria uma cena legal. Ali tinha tudo: homens de turbante, japonesas de cílios postiços, brasileiros com gorrinhos, judeus com seus cachinhos, europeus de sardinhas, africanos com correntões e americanos com seus iphones e blackberrys. Tudo junto, sem brigar, como bem imaginou John Lennon!

Eu realmente preciso voltar a andar com minha câmera…

“Da janela, o mundo até parece meu quintal. Viajar, no fundo, é ver que é igual”.  Milton Nascimento (inspirado no orkut da Jaque)

janeiro 26, 2010. Canadá, Cultura, Sonho, Vancouver. 2 comentários.

Meu lado dona de casa

 A vida inteira eu morei com meus pais. E entre convenientes e inconvenientes, sempre escolhi a primeira opção e permanecerei morando com eles quando voltar do Canadá, contrariando toda a cultura norte-americana que já me é suficientemente impregnada pelo cinema, seriados e fast foods! Eu amo minha família. Desculpa!

Porém neste tempo que estou morando mais por minha conta (tenho roommate, mas é diferente), reparei algumas coisas.

  1. Eu gosto de cozinhar. Nem que sejam os dois únicos pratos que sei fazer: crepes e macarrão.
  2. Amo receber visitas. Engraçado… achei que não gostasse tanto… o problema é só que todo mundo acaba dormindo aqui no chão.
  3. Arrumo a cozinha e não vejo problema nisso! Se cada um cuidar do seu próprio copo, melhor.
  4. Lavar roupa é uma tarefa fácil quando você não usa roupas chiques.
  5. Não gosto de andar e não gosto que andem de sapatos na minha casa.
  6. Um banheiro limpo é imprescindível.
  7. Ainda tenho muito o que aprender sobre reciclagem.
  8. Apagar as luzes é importante. Sempre que puder. E diminuir o aquecedor antes de sair é muito relevante para evitar incêndios.
  9. A vida com carpete propicia um andar mais macio, mas dá alergia e suja muito fácil. Tenho saudade de varrer a casa.
  10. Tive problemas na descarga. E passamos dois dias usando o banheiro do shopping por causa disso! Agora aprendi como funciona a borrachinha lá!
  11. Tenha sempre em casa: papel higiênico, sal, manteiga, leite, queijo, pão e alguma wireless. O resto a gente corre atrás.

janeiro 20, 2010. Food, Friends, Vancouver. 4 comentários.

Beleza americana

Esta cidade é banhada pelo oceano pacífico, tem vista para algumas das mais lindas montanhas do mundo, possui parques belíssimos e arquiteturas modernas que fazem contraste com cenários europeus. É uma cidade com excelente transporte público, bibliotecas exemplares, ótimas universidades, shoppings, praças, áreas de recreação, centros comunitários, grandes hopitais etc etc. Mas é uma cidade com um lado triste que nunca vi em nenhuma outra que estive.

A questão é que não sei o que é mais fácil conseguir em Vancouver: sexo, drogas ou rock’n'roll.

As drogas fazem parte do lado estúpido da cultura norte-americana. Até os professores brincam que a gente que não pode sair de Vancouver sem ao menos experimentar. Try me.

Não sei como, eles não percebem que os milhares de homeless que dominam (sim, dominam) esta cidade minúscula vieram de uma vida de usuários de drogas. E continuam nela. É a cidade com o maior número de loucos que já vi. Não há um único ônibus que eu pegue em downtown que não tenha dois ou três malucos encarando os passageiros, cambaleando entre as cadeiras ou gritando para o nada.

São pessoas que eram para ser bonitas, mas lá pelos vinte e poucos anos já estão cheias de rugas, com a pele meio verde, cara de vômito, olhar perdido e dentes podres. Não, isso não tem o glamour que as bandinhas de rock tentam vender pra gente…

Por isso, mesmo sendo uma viagem maravilhosa e eu me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo, Vancouver as vezes consegue me deixar meio pra baixo. Mesmo quem não é homeless parece não ligar muito para a beleza da cidade. O povo joga papel no chão, anda fedendo pelas ruas, parece nunca usar guardanapo e todos os banheiros dão nojo.

Na noite canadense uma alucinação coletiva parece dopar a galera. Dentro dos night clubs, tudo passa a sensação de fast food. E sem nenhum tempero. Perguntou o nome da garota, pelo menos? Ah, os canadenses… esses seres estranhos, que se vestem como palhaços, rebolam como mulheres e se portam como coelhos. Definitivamente, alguns lugares ali na Granville, são uma total perda de tempo. Trust me. Nenhuma micareta no Brasil chega perto do que acontece aqui.

No meio desta onda, encontramos pessoas boas. Como sempre. Daí o perigo de expor esses casos e lançar um possível preconceito para o mundo afora. Minha host sister, por exemplo, é linda, inteligente, fina e muito legal. Meus amigos canadenses também são. Meus vizinhos de cima são um casal fofo. E minhas colegas de dança também são adoráveis. Existe beleza na cultura norte-americana. De verdade.

Talvez eu estivesse andando nos lugares errados, ou talvez eu só esteja com saudade do Brasil agora. Vancouver encanta a princípio, assusta em seguida e entedia depois. Falta uma essência aqui. É o que tenho visto. E, finalmente, entendo o que aquele filme tentava me dizer…

 

Mas estou bem. Sim! O rock’n'roll é muito legal!

janeiro 20, 2010. Canadá, Frio. Deixe um comentário.

Lost in Translation 2

“Didi” em hindi significa irmã, em árabe, é gíria para menina, já em koreano, significa mamilo!

janeiro 15, 2010. Idioma. 1 comentário.

Meu amigo mexicano

Sempre gostei do México. De lá saíram grandes civilizações como Maias, Astecas e Toltecas. O México foi o berço do chocolate, da casa decimal e do calendário de 365 dias. A relevância de sua história é inconfundível para todos os terráqueos que já passaram pelo ensino fundamental.

Mas, cá pra nós, quando falamos em México, a primeira coisa que vem à mente é o programa do Chaves, a novela Carrossel, Maria do Bairro e, no máximo, a Usurpadora.

Claro! Depois que os espanhóis dizimaram aquelas civilizações para chamar mais um pedaço de terra de seu, a melhor coisa a se fazer era esquecer o passado e tentar reconstruir uma nova imagem para o mundo.

Dito isto, volto a uma tarde da semana passada. Aqui no Canadá, na porta da escola, estávamos eu, Benedikt, meu amigo slovako e Rubem, meu amigo mexicano de 17 anos. Fomos até um centro comunitário assistir Benedikt, que já foi atleta nacional da Eslováquia, dar suas braçadas na piscina coletiva. Rubem queria conhecer o local porque pensava em mudar da academia em que estava. Ele vive em Vancouver há uns quatro meses e já começa a ficar entediado.

Enquanto aplaudíamos Benedikt, ele comentava sobre as técnicas de nado. E eu sempre me surpreendo com adolescentes inteligentes. Eu, nessa idade, estava justamente ocupada com Chaves, Maria do Bairro e, no máximo, a Usurpadora. Não sabia nada de técnicas de esportes. E ainda não posso dizer que sei.

Benedikt ficou nadando e nós fomos caminhar pela cidade. Paramos para tomar um chocolate quente e Rubem me contou sobre como é nojentamente fabricado o leite no México e em toda a América do Norte. Em respeito aos leitores, eu vou evitar comentar. Só digo que reduzi o consumo dessa gosma.

Depois passamos no Hospital St. Paul. Um hospital muito bonito e bem equipado aqui de Vancouver. Eu queria conhecer um pouco da saúde que é toda pública aqui no Canadá. Não deu para colher muitas informações e ele questionava de 5 em 5 minutos o que a gente estava fazendo lá. Do lado do hospital, havia uma igreja e ele perguntou se eu também não queria entrar lá. Disse que a única coisa que me atraía em igrejas era a arquitetura. E ele perguntou qual era a minha religião. “None”, respondi. Nisso ele parou, estendeu o braço e disse “high five”.

Rubem não tem simpatia por religiões. Para ele, o México é sugado por duas grandes forças: a Igreja e os Estados Unidos. Não sei dizer até onde isso é verdade, mas ele parece entender melhor que eu. Continuou dizendo o que já havia comentado em uma de nossas aulas de conversação. Que é natural o ser humano procurar por algo grande, melhor que ele mesmo, mas se estivesse isso preso a alguma religião, a gente não teria essa voz, que a gente escuta todos os dias dentro de nós que fica gritando “find your freedom”.

E é isso que ele vem fazer aqui em Vancouver: encontrar uma independência, liberdade, uma vida diferente.

Sugeri acompanhá-lo até a homestay dele, assim eu conheceria outra parte da cidade. Ele, na falta de opção melhor, deu de ombros e aceitou!

Com seus poucos 17 anos, Rubem já é patolinha, mas tem rosto de menino. Todo mundo gosta dele. É meio bravinho para gracinhas, acorda tarde, fala palavrão em todas as línguas, já andou com muita gente por aqui, mas dança uma dança mexicana como ninguém, sabe fazer qualquer prato com o ingrediente que tiver, é pau pra toda obra, já foi pedreiro e funcionário do governo, canta “besame mucho” quando bebe, entende de física, ama a tecnologia das construções, e está no último nível de gramática da escola.

Pegamos o skytrain e quando descemos perto da casa dele, me mostrou um morro que tinha que subir para chegar lá. Disse que quando está muito cansado (ou bêbado) custa para subir ali. Mas costuma pensar “como eu poderia ser menos que um morrinho desses?” e faz força até conseguir. Comentei que geralmente, quando tenho algo muito difícil para fazer, gosto de pensar que sou uma das Panteras (Charlie’s Angel). É besta, eu sei, mas sempre funciona! Elas olham pra missão, analisam a dificuldade e exclamam “piece of cake!”. Ele gostou da ideia!

E fomos subindo a rua enquanto ele falava sobre a host sister que era uma criança muito difícil e mimadinha. Disse que estava pedindo licença para o host father para educar a criança. E mostrava pra ela algumas coisas lógicas que faziam a criança começar a pensar antes de berrar pela casa.

Na porta da mansão que ele, por sorte, tinha como homestay, me despedi. Ele perguntou se eu preferia que me acompanhasse de volta pra estação. Agradeci. Não precisava, eu tinha decorado o caminho e fui andando.

“And you know what?”, comentei antes de afastar. “I’m one of the Charlie’s Angels”, exclamei! “Yes, you are!”, disse meu amigo enquanto acenava da porta!

Virei para frente e segui. Sabe, talvez aquelas civilizações tenham sobrevivido.

janeiro 15, 2010. Cultura, Friends, Mundo. 2 comentários.

Um mês para as Olimpíadas

Ontem estava na capa de todos os jornais: um mês para as Olimpíadas!

As Olimpíadas de Inverno começarão dia 12 de fevereiro. E a maior preocupação agora é uma questão ambiental. Vancouver não nevou tanto quanto precisava. E talvez não exista neve suficiente nas montanhas para as competições.

A cidade já está toda enfeitadinha de banners e cheia de últimas reformas para o mundo ver como aqui é bonito (e  um pouco sujo, mas abafa o caso).

Recentemente passei pela Vila Olímpica para sentir o clima, só que estava tão deserto que não consegui pegar a essência.

Agora a questão é torcer para nevar um pouco mais nos próximos dias. Dizem os nativos que este é um dos invernos mais quentes que já tiveram. Esta semana tem feito 10 graus positivos. E não é isso que é a gente quer. É?

Ouvindo: Snow (hey oh!) – Red Hot

janeiro 13, 2010. Canadá, Frio, Olimpíadas, Vancouver. Deixe um comentário.

I’m not Sarah

 

Duas confusões, curiosamente, tem sido comuns comigo aqui em Vancouver. A primeira é que muita gente acha que eu sou francesa. O que me deixa lisongeada e feliz, já que as mulheres francesas são lindas, elegantes e meu filme preferido é Amelie Poulain. Porém, quando chegam falando francês, é um pouco constrangedor quebrar a graça da coisa com um “I’m brazilian”. A outra confusão é ainda mais estranha. Embora o título do texto já tenha dado uma boa dica, eu explico.

Outro dia, caminhando por Chinatown. Encontrei um jardim maravilhoso. E, por estar sozinha, resolvi me aventurar! Foi uma sensação muito boa. Descobrir esses pedaços de paraísos perdidos no meio da cidade faz meu coração bater mais forte.

Então, ao sair do jardim por uma porta diferente da que entrei, como era de se esperar, fiquei perdida. E fui andando sem rumo, até chegar no meio de uma concentração de homeless. Percebi que estava na direção errada e virei outra esquina. E outra. E outra. Até que parei em uma delas completamente tonta e sem noção de onde estava. Nisso, um senhor chinês se aproximou e perguntou “Sarah?”. E eu “hã?”. E ele “Are you Sarah?”. “No, I wish I was,cause that’s a beautiful name”. Ele riu amistosamente e eu continuei a caminhada. Descobri que tinha me afastado tanto de onde queria ir, que tive que pegar um ônibus pra voltar. Mas ótimo, transporte público aqui é muito fácil e a gente só paga um ticket por mês (tenho que escrever sobre isso, né).

Ontem, depois da aula, saí para mais uma caminhada. Desta vez, aqui perto do meu apartamento (não, eu não larguei a família Chocolate por nenhum problema, o contrato é que acabou mesmo!). Encontrei algumas coisas bem legais aqui perto. Um restaurante italiano lindinho, uma corte de justiça, uma loja de coisas por um dolar, e uma lanchonete de bairro, confortável e muito convidativa. Já estava com aflição da padronização de tudo (Starbucks, Subway, Burguer King, Mac Donald’s, Waves café… era só isso em toda rua). Entrei. Um canadense bem rústico veio me atender. Pedi milk shake de chocolate como toda boa americana. E para comer, falei que queria um cheeseburguer com muito cheese. Ele perguntou se eu queria que acompanhassem fritas ou salada. Pedi uma opinião e adorei a sinceridade: “fritas”.

Ao sair do Burguer Heaven (esse era o nome do place), que me perdoem os muito polidos, mas eu estava cheia. E com um pacote de fritas embrulhadas que não aguentei. Deixei as fritas em casa e precisava caminhar para valer agora. Ou não entraria em nenhuma calça que trouxe pra cá. Fui para o outro lado do bairro e, ao subir uma ladeira que nem de perto me lembra Belo Horizonte, um homem, lá do alto, gritou “Sarah!”. Achei que não era comigo, mas entrei em outra rua. Ele começou a vir na minha direção e gritar pelo nome da moça de novo. Aí percebi que ele estava me confundindo e, sendo noite e vazia a rua, corri. Vá saber! Ele gritava “Sarah, what are you doing?”. Pensei em parar para explicar. Mas podia não dar tempo. Entrei na estação de metrô. Peguei o primeiro skytrain e desapareci para downtown. Foi até bom que lá me inscrevi na biblioteca pública enorme. Quando a atendente me pediu para escolher um nome para login, quase embarquei na tentação de escrever Sarah, mas na preguiça de explicar a história, coloquei meu nome real!

janeiro 13, 2010. Streets. 3 comentários.

Um príncipe entre a gente

 Num desses dias que fizemos festa aqui no apartamento, um árabe, amigo de amigo, apareceu para tomar uma cerveja e acabou dormindo no sofá. Dias depois, descobrimos a origem real do garoto. Filho do rei a Arábia Saudita, ele se passa por simples mortal no meio da galera. Eu poderia jurar que era conversa se o google não me mostrasse vários indícios de verdade.

Agora fico pensando, o que faz alguém perder tempo num sofazinho preto na sala  de um micro apartamento em Vancouver quando tem no Oriente Médio um trono à sua espera?

Eu sei, a cerveja.

janeiro 12, 2010. Friends, Mundo. 4 comentários.

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