So you think you can dance?
Minha perna está doendo como se uma madeira velha tivesse sido colocada no lugar dos meus músculos. Estou mancando para ir da cama até a cozinha. E chego a cogitar gritar de dor toda vez que tenho que sentar ou subir escadas.
Nunca imaginei que uma aula de dança pudesse fazer isso comigo. A idade e a falta de preparo também não ajudam, mas como pode uma única dança acabar com uma pessoa tão bem intencionada…
Tudo começou quando a Mari, uma amiga brasileira, mostrou-se o folder de uma escola de dança daqui de Vancouver (Harbour Dance Centre). As aulas poderiam ser contínuas ou apenas uma por 14 dolares. Eu já era muito animada com o jeito “so you think you can dance” de coreografar a vida. Em Rocky Moutains, ficamos, minha amiga australiana e eu, boa parte da última noite de viagem assistindo ao show!
Com aquele folder, meus olhos brilharam e, no dia seguinte, estava na aula de hip hop aprendendo a fazer pose.
Mais pra frente, ingressei na aula progressiva de hip hop pussy cat dolls, que era um hip hop só para menininhas. Divertidíssima, a professora estimulava que fizéssemos aula de salto alto e cara de perigosa. Como eu não nasci pra ser sexy, fiquei no tênis mesmo.
Aprendemos passos da Britney, da Beyoncé, da Nicole. Dançar é tão gostoso que a gente fica torcendo para a professora esquecer que já estava no fim da aula. E a aula é tão intensa, que eu saio do centro de camiseta, bufando de calor, e todo mundo me pergunta na rua como não estou com frio.
Ontem foi minha última aula, ensaiamos uma música animadíssima chama “How long can you go” (só não tente imaginar a letra). Aliás, quem quiser pegar o inglês das ruas, recomendo muito fazer aulas de dança no exterior.
Mesmo finalizando os ensaios, ainda tenho direito a uma hora extra de aula se quiser. O problema é conseguir voltar a mexer normalmente.
Assim que isso for possível, podem me aguardar, a velhinha aqui vai rodopiar por aquele salão novamente!
(vídeo feito na minha sala, mas com turma diferente)
New guys
Eu não trouxe despertador nem nenhuma forma de relógio analógico. Trouxe apenas o celular e o computador que me informariam as horas no Brasil e eu faria a conversão para 6h a menos. Ou seja, ganhei 6h (o que foi ótimo!).
Acontece que meu celular, por óbvio, teve a bateria descarregada e eu não achei o carregador e, mesmo se achar, não vai ser compatível com as tomadas de três buracos daqui. Então decidi esquecê-lo, mas como saber a hora de acordar???
Bom, eu aproveitei aquela técnica que me ensinaram da mentalização da hora de acordar (ohhhh!). Trata-se de você ser tão responsável e tão preocupado com o horário, que consegue acordar na hora certinha, sem ninguém te chamar. Então, como eu teria muita coisa para fazer de manhã (como comprar o ticket do ônibus numa loja antes de ir pegar o ônibus), mentalizei que teria que acordar 6h30 da manhã para estar na escola 8h30 como eles pedem. Porem, quem leu o post passado, sabe que caí no sono antes de ajeitar muita coisa…
Ainda assim, fiquei tão bem programada que acordei às 6h30 certinho. Só que no horário de Brasília, o que significa que acordei meia noite e meia aqui em Vancouver. Soltei a gata que estava no meu quarto e fui arrumar as coisas. Ainda faltavam 6h de sono e, embora eu achasse que fosse viver a big problem dormindo num país estranho, num quarto estranho, família estranha, foi muito tranquilo… Virei pro lado e dormi. Talvez a cama encostada na parede como a minha tenha ajudado.
Acordei novamente na hora certa. Escovei os dentes, juntei as tralhas. O café da manhã da família nem estava pronto. Chegaram a me oferecer uma pera, mas eu só tomei água e saí. Fui caminhando toda feliz igual uma Pollyana esquimó pelas ruas (que aqui são muito fofinhas).
Comprei a passagem do ônibus e o carinha da loja me ensinou como usar. Normalmente os canadenses não tem paciência para explicar as coisas, mas este teve.
A escola é bem grande! E chegando lá eu já encontrei um povo que estava na Van comigo e mais uma galera nova. A maioria brasileiros, mas fizemos amizade também com o Massa, um japonês engraçadíssimo, a Elly, coreana fofa, a Abgail, venezuelana maravilhosa que não sabe que é bonita (já é casada, tire o olho) e aí vai o carioca, o brasiliense, o curitibano a turma de maceió, de são paulo e eu e a Livia de beagá!
Tivemos orientações em português. Descobri que seu eu atravessar fora da faixa realmente serei multada. Depois que já tinha atravessado mil vezes, descubro isso. Beleza!
Aqui em Vancouver é impossível beber e fumar ao mesmo tempo. Isso porque você só pode beber indoors e fumar, só outside e pelo menos 6 metros longe de portas e janelas. Para mim, é perfeito, fumaça me enjoa e adoece. E quanto a bebida… ah, veremos!
Um dos colegas brasileiros, durante a orientação, informou que morava na região norte bla bla bla. Aí, a orientadora, também brasileira, alertou, “cuidado!”. E ele “sem problema, eu sou mais marginal que eles”. E a orientadora, “estou falando de ursos”. Ahaha! Aqui não é Rio de Janeiro não, rapá! Ursos são um perigo em Noth Vancouver… Mas eu posso voltar pra casa na rua deserta a hora que for da noite, não costuma acontecer nada. Mas, na dúvida, eu fico atenta. Afinal, outro dia pegaram um serial killer aqui, acusado de matar 18 prostitutas. Será que é impressão minha ou serial killers são mais comuns na américa do norte do que no Brasil?
Ao sair do orientação, o garoto-marginal, mostrou-se um verdadeiro gentleman e convidou todo mundo para almoçar junto. No fundo, ele é o funny guy da nossa turma. Ele e o Japa! Fomos até um estádio e de lá para o Subway. Eu preferia algo mais criativo, mas quando a gente vive em bando é assim mesmo. E eu adorei esse bando.