Beleza americana

Esta cidade é banhada pelo oceano pacífico, tem vista para algumas das mais lindas montanhas do mundo, possui parques belíssimos e arquiteturas modernas que fazem contraste com cenários europeus. É uma cidade com excelente transporte público, bibliotecas exemplares, ótimas universidades, shoppings, praças, áreas de recreação, centros comunitários, grandes hopitais etc etc. Mas é uma cidade com um lado triste que nunca vi em nenhuma outra que estive.

A questão é que não sei o que é mais fácil conseguir em Vancouver: sexo, drogas ou rock’n'roll.

As drogas fazem parte do lado estúpido da cultura norte-americana. Até os professores brincam que a gente que não pode sair de Vancouver sem ao menos experimentar. Try me.

Não sei como, eles não percebem que os milhares de homeless que dominam (sim, dominam) esta cidade minúscula vieram de uma vida de usuários de drogas. E continuam nela. É a cidade com o maior número de loucos que já vi. Não há um único ônibus que eu pegue em downtown que não tenha dois ou três malucos encarando os passageiros, cambaleando entre as cadeiras ou gritando para o nada.

São pessoas que eram para ser bonitas, mas lá pelos vinte e poucos anos já estão cheias de rugas, com a pele meio verde, cara de vômito, olhar perdido e dentes podres. Não, isso não tem o glamour que as bandinhas de rock tentam vender pra gente…

Por isso, mesmo sendo uma viagem maravilhosa e eu me sentindo a pessoa mais sortuda do mundo, Vancouver as vezes consegue me deixar meio pra baixo. Mesmo quem não é homeless parece não ligar muito para a beleza da cidade. O povo joga papel no chão, anda fedendo pelas ruas, parece nunca usar guardanapo e todos os banheiros dão nojo.

Na noite canadense uma alucinação coletiva parece dopar a galera. Dentro dos night clubs, tudo passa a sensação de fast food. E sem nenhum tempero. Perguntou o nome da garota, pelo menos? Ah, os canadenses… esses seres estranhos, que se vestem como palhaços, rebolam como mulheres e se portam como coelhos. Definitivamente, alguns lugares ali na Granville, são uma total perda de tempo. Trust me. Nenhuma micareta no Brasil chega perto do que acontece aqui.

No meio desta onda, encontramos pessoas boas. Como sempre. Daí o perigo de expor esses casos e lançar um possível preconceito para o mundo afora. Minha host sister, por exemplo, é linda, inteligente, fina e muito legal. Meus amigos canadenses também são. Meus vizinhos de cima são um casal fofo. E minhas colegas de dança também são adoráveis. Existe beleza na cultura norte-americana. De verdade.

Talvez eu estivesse andando nos lugares errados, ou talvez eu só esteja com saudade do Brasil agora. Vancouver encanta a princípio, assusta em seguida e entedia depois. Falta uma essência aqui. É o que tenho visto. E, finalmente, entendo o que aquele filme tentava me dizer…

 

Mas estou bem. Sim! O rock’n'roll é muito legal!

janeiro 20, 2010. Canadá, Frio. Deixe um comentário.

Um mês para as Olimpíadas

Ontem estava na capa de todos os jornais: um mês para as Olimpíadas!

As Olimpíadas de Inverno começarão dia 12 de fevereiro. E a maior preocupação agora é uma questão ambiental. Vancouver não nevou tanto quanto precisava. E talvez não exista neve suficiente nas montanhas para as competições.

A cidade já está toda enfeitadinha de banners e cheia de últimas reformas para o mundo ver como aqui é bonito (e  um pouco sujo, mas abafa o caso).

Recentemente passei pela Vila Olímpica para sentir o clima, só que estava tão deserto que não consegui pegar a essência.

Agora a questão é torcer para nevar um pouco mais nos próximos dias. Dizem os nativos que este é um dos invernos mais quentes que já tiveram. Esta semana tem feito 10 graus positivos. E não é isso que é a gente quer. É?

Ouvindo: Snow (hey oh!) – Red Hot

janeiro 13, 2010. Canadá, Frio, Olimpíadas, Vancouver. Deixe um comentário.

Estou em Rocky Moutains

Estou na excursao de Rocky Moutains, num computador que nao tem acento.

Vim de excursao com a Tati e a Vanessa que sao de Sao Paulo e muito adoraveis. Nao sao crisentas nem nada! Tem uma Australiana dormindo no nosso quarto tambem. Ela chama Jodie e como sao apenas duas camas de casal, a Tati vai ter que dormir com ela e eu vou dormir com a Vanessa. Todo mundo estranhou isso, mas a gente colocou uns travesseiros no meio das camas para impedir que uma chute ou encoste demais na outra durante a noite.
 
Foram 10h de viagem na estrada nevada. Mas o motorista dirigiu bem devagarinho e nao derrapou nenhuma hora. A vista eh linda! No final da viagem agradeci o mister Driver por termos chegado a salvo. Ele riu.
 
A Tati quase perdeu a viagem. Tinhamos combinado de encontrar com ela 6h20 na estacao de metro para irmos juntas ate o local de onde sairia o onibus 7h. Como ela nao chegou ate 6h35, eu e a Vanessa fomos na frente. Ai, ja eram quase 7h20 e nem sinal dela. Todo mundo ja estava dentro do onibus e tive que descer e falar com o guia que uma amiga brasileira ainda nao tinha chegado e ele “oh, Brasil…” do tipo, “sempre um brasileiro atrasado…”. Ai o outro guia foi comigo procurar a Tati pelas redondezas. Olhamos tudo em volta. Ate que chegamos num outro onibus, de uma outra companhia de turismo e eu vi ela la dentro toda assustada, quase irreconhecivel. Peguei a mala dela e saimos correndo pro nosso onibus. O que aconteceu foi que ela perdeu o onibus que ia pra estacao do metro e pegou um taxi que nao tinha troco pra unica nota de cem dolares. Ai, o taxista nao queria deixar ela ir e ficou rodando com ela, ate que ela conseguiu fazer ele voltar pra homestay dela e la pediu dinheiro pra Cris (outra brasileira que esta hospedada la tambem). Pegou outro taxi pro ponto de saida do nosso onibus, mas ja tinha passado muito tempo e ela nao conseguiu achar o onibus certo e entrou no onibus errado, o que aumentou o desespero. Mas, felizmente, a gente conseguiu enfiar a garota no nosso onibus e o guia comentou gentilmente,”you have a very good friend here”. Agora estamos todas bem!!! Tirando que o canadense responsavel pela viagem toda hora fala “parada de 30 minutos! No horario canadense, nao no brasileiro”!

dezembro 19, 2009. Canadá, Friends, Frio. 2 comentários.

Bola de neve

Agora eu oficialmente conheço neve! E isso é um sonho que se realiza. Aliás, o outro sonho é a wireless que colocaram aqui na homestay. Hoje nem precisei acordar 6h da manhã e sair no frio para pegar ônibus e atravessar a cidade para olhar e-mails. É o que eu chamo de vício. Mas não sou das piores!

Bom, a neve, neve mesmo, me foi apresentada neste fim de semana no Mt. Seymour que é uma montanha que geralmente as pessoas vão para esquiar ou para fazer snowboarding. Mas como os equipamentos disso aí eram muito caros e a gente ainda vai pra outras montanhas mais legais, eu e a Livia fomos fazer uma coisa bem ridícula que é tobogan na neve, enquanto a Nina e o alemão posavam no ski!

Eu e a Livia ficamos nas filas com as criancinhas para escorregar na neve e voltar correndo pro alto e escorregar de novo. É possível fazer isso na areia também. Aliás, andar na neve é bem como andar na areia. Foi ótimo, eu espero ter emagrecido!!!

Emagrecer é uma palavra cada vez mais distante no meu vocabulário. Ontem eu jantei duas vezes porque o Jorge cismou que queria experimentar um jantar vietnamita. Aí fomos eu, ele e Vanessa (de São Paulo) treinar o nosso paladar. Até que o gosto da comida não era tão ruim quanto a aparência. Provei uma almôndega consideravelmente saborosa, mas enquanto mastigava, me perguntei se não seria de carne de cachorro… No vietnã eles comem cachorro? Isso é muito relevante pra mim… Mas se por acaso eu tiver comido, prefiro não sabe. Como poderia me olhar no espelho depois disso???

Cheguei em casa tarde. Não sei como, mas cheguei mais de 9h da noite e o jantar já tinha sido servido há muito tempo. Era arroz chinês. Na dúvida, jantei de novo como se nada tivesse acontecido!

Enquanto isso, a neve lá fora, fazendo um barulhinho gostoso junto com a chuva. E deixando tudo branquinho! Não será brincadeira alguma quando eu disser que estou virando uma bola-de-neve. Como na Revolução dos Bichos!

dezembro 15, 2009. Food, Frio, Sonho. 1 comentário.

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