Vancouver 2010!
No último dia do ano, fiz uma apresentação sobre a Michelle Kwan na escola. Mostrei (tentei mostrar) alguns passos que ela faz, e expliquei sobre o carisma dessa patinadora que sempre mereceu, mas nunca recebeu uma medalha de ouro, mesmo sendo a mais premiada do mundo.
Finda a aula, caminhei até a estação do Skytrain. Vi um carro furando o sinal e batendo muito feio em outro, mas ninguém se machucou.
Chegando no apto novo, joguei (o verbo é esse mesmo) as minhas coisas no quarto, abri o computador, mandei uns e-mails e saí para comprar coisas pra nossa festinha de reveillon. Caminhei aqui perto para ver se achava algum supermercado. Não achei. Mas a rua aqui de baixo é uma avenida muito charmosinha com várias lojas de vestido de casamento. Acho que deve ser a rua das noivas, ou algo assim. Tem de tudo pra casamento. É uma região muito bonitinha essa que estou agora. Tem um salão de beleza que eu acho que é só pra negro. Passei por ele ontem. Só black power lá dentro. E negro aqui é raridade. Adorei!
Acabei pegando o Skytrain e indo pro MetroTown que é o shopping gigante que temos por aqui. Lá tem um supermercado que parece o Carrefour monstro. Chama The Real Canadian Superstore. Comprei uns ingredientes pra fazer crepe e procurava a nutella quando olhei para o relógio. Eram quase 6h da tarde. E sabe o que isso significava? Que era quase meia noite no Brasil. Coloquei as coisas no chão e acompanhei no relógio. “10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 ,1″. Feliz ano novo!, pensei Fechei o olho por uns segundo e visualizei as pessoas que eu amo no Brasil. Fiquei com muita vontade de abraçar alguém naquela hora… mas ninguém me deu bola.
Terminei as compras e peguei outro Skytrain. Esse trem daqui de Vancouver é muito eficiente, a gente vai pra qualquer lugar com ele, muito rápido. E só paga um passe mensal. Acaba que o MetroTown é perto da minha casa, pois eu moro muuuuito perto da estação do skytrain agora! É um longe que fica do lado.
Cheguei em casa e deparei com o alemão aqui na porta. Faltavam ainda 20 minutos pro horário que combinamos com a galera, mas na Alemanha o povo é pontualíssimo. Até demais.
Logo depois chegou o Jorge e depois o Frank (de Taiwan). A Vivian, nossa amiguinha brasileira de 16 anos também não demorou e ficou me ajudando a fazer o crepe. A galera ficou ouvindo música e conversando. Livia chegou com a mala dela pra dormir aqui.
E assim foi chegando todo mundo! Vieram umas 15 pessoas. Eu não sei direito. Mas foi muito legal. Estava todo mundo muito animado. A gente colocou muita música brasileira e mostramos pros alemães, taiwans, mexicanos e pra ucraniana que estava aqui, como se dançava forró (mas de um jeito mais afastadinho), funk (de um jeito comportadinho) e samba (de um jeito comportadinho também). Ahahaha!
O Rubem, que é o mexicano, me mata de rir sempre. Me lembra demais um personagem de novela mexicana. Ele colocou uma dessas músicas típicas do México e empolgou nas dancinhas. As meninas passaram mal de tanto rir. Eu tinha certeza que a polícia ia chegar para mandar a gente calar a boca. Mas o Alemão bêbado falou que a polícia só não poderia vir da segunda vez, que na primeira não teria problema. Na dúvida, eu diminui um pouquinho o som e pedi pro povo parar de pular em cima da cabeça do vizinho de baixo.
Deu meia noite, foi todo mundo pra varanda e estouramos os champagnes. Um deles jorrou tão alto que eu acho que acertou a casa do nosso professor que mora em cima. Lá no fundo, vimos alguns poucos fogos! A música animada, embalou nossas felicitações. Era um bom começo!
O tempo foi passando e a galera foi parando de dançar para sentar no chão. Sentar… esticar as pernas… deitar… Não tinha mais Skytrain de noite e os únicos que foram embora foram o Frank de Taiwan (muito bêbado, a gente tentou fazer ele ficar, mas ele disse que tinha que ir), a ucraniana e o namorado brasileiro. O resto se ajeitou no chão e dormiu. Pegamos o colchão e colocamos no chão da sala para servir de travesseiro pra todo mundo. Deitei entre a Livia e a Mari e ninguém conseguia parar de falar para começar a dormir. Fora que o Rubem estava preocupado com o amigo dele, Miguelito, que tinha ficado de vir, mas tinha falado que ia comprar umas coisas antes e sumiu. Nunca apareceu. Na verdade, quem apareceu no lugar, foi um amigo árabe do Daniel. Mas beleza.
A conversa foi virando sussurro e quando a gente quase dormia, Rubem girtou “seriously, where is Miguelito???”. “Poor, Miguelito, he is lost in the street with my 20 bucks!”. E não teve como não acordar para rir!!! Coisa de gente bêbada, eu sei!
No dia seguinte, o orkut e o facebook de todo mundo perguntava “Where is Miguelito”. Miguelito está bem. Nos vimos no dia seguinte!
Nosso início de 2010 foi diferente, mas muuuuuuito bom!
Os pontos finais
Último dia do ano. Último dia de homestay. Pela primeira vez, eu alugo um apartamento.
Cartinha com embrulho de presente para a família Chocolate sobre a mesa do café. Ontem de noite eles me deram uma cartinha e vários chocolates. Na cartinha, cada um assinou e alguém fez a gentileza que assinar pelo cachorro e o gato também.
Hoje durmo na casa nova. Não sem antes dar uma festinha da virada pra galera da escola. Vinte convidados. Mas a gente conhece todo mundo. E todo o mundo!!!!
O ano de 2009 foi tão agitado que poderia ser contabilizado em uns sete ou oito pequenos anos. Do início da jornada até aqui, muita coisa mudou. Muito suor escorreu. E também algumas lágrimas. Mas foi um ano sensacional. Inacreditável. De grandes transformações. Grandes lutas, emoções e grandes conquistas.
Vancouver é tão longe de Belo Horizonte e, ao mesmo tempo, eu sinto todo mundo tão próximo que a saudade que fica é só a boa. Claro que sinto falta das manhãs ensolaradas, das noites de Eddie Burguer, e das tardes de trabalho e de brincadeiras com o Peter.
Os finais de tarde em Beagá eram mais amenos. O dia despedia aos poucos e dava lugar à lua sem muita pressa. Em Vancouver é tudo muito rápido. Tudo fecha rápido, tudo esfria rápido, a noite vem correndo e, quando a gente assusta, não existe mais luz. Mas fazer amizade aqui também é mais rápido, mais profundo e logo fica todo mundo irmão.
Assim será nosso último suspiro de 2009. Um ponto final bem dado numa história bem movimentada.
Que 2010 seja um ano de mais novidades, mais conquistas, mais mudanças. Muita paz. E muita luta. Se é que me entende!
“E se ainda quereis dilatar mais a vida, uni à alegria vossa a alegria do semelhante. Uni vosso esforço ao de outros e sentireis, assim, que vossa vida adquire mais corpo, porque o que os demais sentem, por reflexo o sentireis também vós. É como se todas as vidas constituíssem uma só, gigantesca. Se por vossa conta, por exemplo, desfrutais de dez episódios, nesta outra forma podereis desfrutar de cem, de mil, de inumeráveis acontecimentos; porque cada alegria, cada benefício que alcance vosso semelhante será vosso e desfrutareis dele. E, sendo assim, a existência adquirirá outro significado.” da logosofia
Ouvindo: Life Is Beautiful – Vega 4
Comemorações
Hoje (ontem já, né) tive um almoço natalino na casa da irmã do host father. Toda a família foi lá. O almoço foi bem típico de natal americano. Árvore com muitos presentes. Músicas medievais de fundo. Guardanamos de papai Noel. Peru recheado. Pessoas com roupas elegantes. Só assuntos legais. A gente começou a falar de problemas de drogas e fomos cortadas. Mas foi ótimo, porque eu gosto de festinhas de família.Não sou religiosa, então vejo essa data só pelo lado familiar mesmo. A comida estava deliciosa e eu ajudei a descascar os vegetais e a lavar os pratos (good girl!). O avô da família me mostrou um negócio que ele chama de Dog House (será isso mesmo?), que é tipo uma casa nos fundos da casa onde ele pratica os hobbys dele (acho legal isso). Ele tem o hábito de fazer desenhos e caligrafia. É nascido na Suiça e depois de um tempo de conversa percebi que ele não tem dois dedos… A esposa é falecida… Mas tudo bem.Nossa primeira festa
Precisávamos comemorar o aniversário de 20 anos do nosso amigo Jorge. Havia uma festa na quinta-feira e ela foi a eleita.
O lugar se chama AuBar e fica em Downtown. A escola dá os convites e eu nem estava esperando muito, já que o convite é dado e pode pegar quantos quiser. No entanto, o lugar tem muita cara de boite-bar como nos filmes!!! E o único problema que identifiquei é que tem que pagar 7 dólares para eles guardarem nosso casaco e bolsa.
Fomos os primeiros a entrar na festa que começava às 6h da tarde (neste horário, já escureceu há muito tempo em Vancouver). Estávamos num grupo de umas 10 pessoas, incluindo nosso novo amigo Frank de Taiwan e o antigo (antigo!) Massa do Japão. Para entrar em boite aqui, você TEM que trazer o passaporte. Só a carteira de motorista não é suficiente. Outro japa e um koreano, também da nossa escola, não puderam entrar por causa disso. Uma pena.
Abrimos a pista de dança. Estava tocando o pior tipo de axé possível. Daqueles que a gente nunca ouviu no Brasil, mas what the hell, let’s dance!
Percebemos que estava todo mundo olhando pra gente, e a ideia era essa. Aos poucos, foi chegando mais gente pra pista e a gente convidava a entrar na roda. Primeiro umas japonesas tímidas, rindo das danças malucas do Massa, porque ele dança como nenhuma outra pessoa no universo. Parece que ele tem gominhas nas articulações! Fez o robot, street dance e até uma tentativa de moon walking! Tão engraçado… Depois chegaram uns caras de Dubai, mais brasileiros e um suiço que todo mundo achou lindo (menos eu, porque homem bonito demais é mulher pra mim). Um dos caras de Dubai era um pelinha… Ficava querendo que a gente dançasse com ele, pegando na mão, fazendo carinhas… Argh. Aí os amiguinhos brasileiros apareciam e salvavam a pátria (amo sair com amigos homens por isso!). O suiço agarrou uma das brasileiras e ela morreu de preguiça. Ele rebolava demais, beijava mal e achava que podia passar a mão porque ela era brasileira (palavras dela). Para quem vem de um país estupidamente neutro, ele era bem saidinho… Logo ela se livrou dele.
Depois a pista de dança começou a encher de verdade e as músicas deixaram de ser apenas brasileiras (não sem antes tocar a dança do quadrado, um tanto de funk, axé e aquela que eu não sei o nome “porque eu sou brasileirooo, eu sou do litoraaaal..”) e começaram a ficar mais internacionais. Bem que o meu amigo Guach avisou que eu ouviria muito boom boom boom boom boom boom!
As músicas árabes eram as mais legais e todo mundo se divertia muito tentando fazer as dancinhas. A galera me chamou pra cima da mesa e por que não???
Em cima da mesa, a visão era linda. Tantas culturas diferentes, tanta interação lá em baixo. Asiáticos dançando com europeus… Americanos com árabes… Quem dera fosse sempre assim…
Em cima daquela mesa de um metro cúbico havia um tanto de gente e lá conheci uma outra menina também brasileira. O resto era tudo árabe.
Os árabes são ricos até doer. Acho que na nossa escola, os mais ricos por lá são os árabes. Talvez os de Dubai também sejam. É difícil saber. Um deles me perguntou o que eu gostaria de beber que ele pagaria. Mas eu já estava me divertindo tanto sem beber nada que preferi não aceitar… Sei lá, mineiro é desconfiado…
O cara que comandava a festa era um negão meio novaiorquino mega divertido. Fui até ele pedir para mandar um parabéns pro nosso amigo. Ele seguiu minhas instruções. Mas o meu amigo não ouviu. Estava muito ocupado paquerando a brasileira que eu conheci em cima da mesa. Mesmo assim, comentou que aquele era possivelmente o melhor aniversário da vida dele. Não foi difícil entender.
De vez em quando eu ia pro banheiro beber água. Aqui no Canadá é tranquilo beber água da pia. Além de ser de graça, né. Numa dessas idas, encontrei um anel de brilhantes esquecido na pia. Várias meninas estavam de olho nele. Então fui até o barman, expliquei a situação e ele me pediu que pegasse e entregasse lá na frente. Quando voltei para pegar, era tarde demais. Eu sabia que isso poderia acontecer… Mas, enfim, se eu pegasse antes, as outras meninas entenderiam que eu estava furtando. O barman agradeceu a tentativa. E, quem sabe, quem perdeu deve ter mais uns 20 no armário.
Nesse ponto, a gente já tinha aproveitado o suficiente. A pista ainda estava superlotada e a gente via a galera fazendo miséria na paquera lá. As brasileiras são as mais comportadas. Vai por mim. Muitos caras já estavam começando a ficar bêbados e se achando. Era hora de ir. Reunimos a turma e fomos pro metrô. Aí, por curiosidade, olhamos as horas: 11 da noite! Dá pra acreditar nisso???
É o sonho de todo pai! O filho sai, não bebe, não fuma (não pode fumar em lugares fechados aqui), não briga e volta às 11 da noite.
Amei!
Acho que nunca mais vou querer sair em Belo Horizonte… Será??

